Quem nunca andou de metro devia experimentar!
Andar de metro em hora de ponta é surreal. É uma experiência única, diria mesmo, cultural!
Ser esborrachada por homens e mulheres, gordos e magros, altos e baixos, entre perfumes e suor, é do melhor!
Tudo começa ao chegar à gare. Esperamos em pé que o metro chegue, entre milhares de gente inexpressiva, ainda ensonada e com o semblante próprio de quem vai enfrentar mais um dia de trabalho. A gare do Cais do Sodré (para quem não sabe) tem uma plataforma e de cada lado uma linha. Nunca sabemos de que lado vem o comboio, por isso espera-se...
Quando de repente se ouve um "tlim" e, olhando para cima, do lado esquerdo ou do direito, consegue ler-se "Sentido Telheiras".
Ao sinal do "tlim", as pessoas movem-se todas para o mesmo lado, atropelando-se sem dó nem piedade, para serem os primeiros a entrar. O comboio pára e as portas abrem-se..."Eu não fico de fora" parece ser o pensamento geral. Toca a empurrar! Crianças no meio, velhos, mães com bebés ao colo? Isso não interessa nada, "eu quero é entrar". Cabe sempre mais um. Empurra-se mais um pouco, dá-se uma cotovelada ou um apalpão no rabo de quem está à frente e...cabemos todos!
É o vale tudo, até ficarmos completamente entalados, esborrachados, a respirar com o nariz enfiado nos cabelos ou no sovaco de alguém (que com alguma ou muita sorte cheiram a lavado) …
Depois da primeira paragem, ficamos um pouco mais à vontade. Aí, já conseguimos admirar, em todo o seu esplendor, o TUGA!
Há o Tuga intelectual, sempre com a sua gabardine ou sobretudo bem alinhado, com headphones nos ouvidos e acompanhado do seu livro, concentrado, evitando a todo o custo o cruzamento de olhares.
Depois temos o Tuga, Tuga! Sempre cheio de sacos, gordinho e baixinho, sempre atento a ver se apanha um lugar livre. Eles, os Tugas homens, passam o tempo a admirar as mulheres com aquele ar muito profissional, muito cheirosas e com grandes decotes...babam-se!
Já as mulheres Tuga, Tuga, apresentam os sapatos gastos de tanto andar, sempre rasos. As roupas típicas do "chinês", sempre iguais e sem graça, de quem não tem dinheiro nem tempo para se dedicar a estes prazeres, a estes cuidados.
Vemos ainda o Tuga estrangeiro. Aquele que é português mas que fala brasileiro, crioulo, chinês ou croata. Estes, são cada vez em maior número. Chegam ao nosso país como se cá tivessem nascido, cheio de certezas e de direitos. Os costumes? A tradição? Essa continua a ser a sua, a do seu país. Eles (nós) que nos adaptemos!
Andar de metro pode ser de facto enriquecedor. Quem nunca experimentou, experimente!
MMarques
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