quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Educar!
Os pais de hoje estão completamente desorientados, perdidos. Tornaram-se reféns das pestes dos filhos e teimam em afirmar que este tipo de educação é um “processo novo, mais actual, menos castrador”.
Estão a criar, isso sim, verdadeiros delinquentes, selvagens, egocêntricos, fracos, sem espírito crítico, pouco lutadores, nada ambiciosos. Estão a ajudar a formar futuros homens/mulheres sem carácter, egoístas, vaidosos, supérfluos!
Isto visto assim parece uma visão demasiado pessimista, mas quando assisto de perto às maiores atrocidades, cujos protagonistas são homens e mulheres instruídos, supostamente bem formados, fico vazia!
Assisto diariamente a conversas e a cenas como estas:
O “filhote” no carrão da mamã ou do papá, a fazer uma enorme birra, e a mamã ou o papá, do lado de fora do carro há horas, numa enorme calma, dizer:
“Ó filhinho, vá, temos que ir embora. Venha lá, está muito frio e a mamã tem que ir trabalhar! Vá, a mamã logo, quando o vier buscar, traz aquele carro que o menino viu ontem no Toy R Us, que custava os olhos da cara.”
No supermercado:
“Vá, escolha lá o que quer levar hoje. Só uma coisa, tá bem? Já sabe que é uma coisa por dia, não interessa nada que amanhã perca o interesse, ou que já não caiba no quarto dos brinquedos!”
Quando chega da escola:
“Ai o menino trouxe um recado na caderneta? Então porquê? Sério? Espetou uma caneta no olho do colega e mandou o professor para o c ....? Ai a mim parece-me um exagero! Ser suspenso? Há coisas piores. Vou já amanhã falar com o professor!”
À mesa:
“Olhe só o que a babá fez para o jantar: uma posta de peixe fresquinho, grelhado, com feijão verde e arroz. Uma delícia! Não qué quido? Não gosta? Pronto, pronto não chore. Vá, a babá vai já fazer um bife com batatas fritas, ou prefere um búrguer? Pronto quido, acalme-se lá. A mamã até o deixa ir comer no tabuleiro para perto da tevisão, ok? E se quiser depois até dorme com a mamã e com o papá!”
Perante situações como estas (e tantas outras poderia eu contar) o que dizer???
Que espécie de anormais estão vocês pais a criar?
Aprendam a dizer NÃO !! Não é uma palavra tão pequena, tão fácil de dizer e melhor, melhor, é que não carece de explicações. Não, é não! Porque sou eu que mando, porque sou eu o pai, porque sou eu quem sabe o que é melhor para ti!
Mais ainda: deixem-nos cair, correr, experimentar, sujar, ser autónomos, desenvencilharem-se sozinhos, deixem-nos crescer, porra!
Deixem-se de tretas e comportem-se como PAIS!
MMarques
BOM DIA SRªMINISTRA!
Os professores voltaram a sair à rua a um sábado. Em maior número do que em Março passado.
Não conheço, na democracia portuguesa, nenhum grupo profissional que tenha expressado de forma tão massiva o seu descontentamento. Mais de 80% da totalidade dos seus membros é muita gente. Entre eles estão dezenas de milhar de eleitores do partido que está no Governo.
A socióloga emprestada à Educação devia ser a primeira a compreender o significado dos números. Mas não. Prefere fingir continuar a reinar com tranquilidade e determinação contra tão esmagadora prova de insatisfação. A pensar apenas na maquilhagem de estatísticas para inglês ver.
A birra, a caturrice, o aferro, a obstinação, não são pose de Estado. Evidenciam, isso sim, a pose do estado de fraqueza de convicções sobre a Educação. E esta sob a físsil casca de um autoritarismo de má memória.
A teimosia paga-se com teimosia. É um convite a que se faça o menos possível sob a capa do mais possível. Um relatório de desempenho docente também pode ser uma peça de ficção. Um professor contrafeito estimula melhor a sua imaginação para a inércia pró-passiva. Quem se trama é o aluno que precisa a serenidade da paixão e da alacridade do professor na escola.
Muitos pais não entendem isto. Até mesmo o seu representante vitalício, Albino Almeida, futuro presidente da Confederação dos Avós e Bisavós de Portugal. Já veio mostrar preocupação por uma putativa greve dos professores - um direito constitucional inalienável -, em Janeiro do próximo ano, que não se sabe se virá a acontecer. O ministério, para além de já o ter remunerado e bem, devia condecorar este seu virtuoso virtual 'secretário' de Estado para os assuntos da família. A untuosa bajulice merece alvíssaras.
Os professores ganharam a unidade entre si. Mas ainda não ganharam o coração dos portugueses, nomeadamente o dos encarregados de educação. E precisam.
Precisam de aclarar que querem avaliação objectiva. Que não são todos iguais como gémeos univitelinos. Que estão a favor do princípio de que o balda (e existe) deve ser penalizado, na progressão na carreira, face ao professor empenhado.
Sendo essa a vontade inequívoca da maioria, a mensagem não tem passado. Os professores devem esforçar-se por esclarecer que estão submergidos em papel numa avaliação criada, em 'copy/paste', do modelo chileno. Que a sobrecarga burocrática é feita à custa da energia que devia estar na preparação das aulas e nas actividades curriculares. Que não há universalidade, nem equidade, na avaliação uma vez que cada escola inventa, como pode, a sua.
E que não faz sentido que um professor de Matemática seja avaliado pelo colega do lado que é professor de Educação Visual. Ou que um professor de Francês avalie um colega de Inglês. Ou que, numa escola secundária que conheço bem, um professor doutorado, com a mais alta classificação, não seja 'titular' e esteja a ser avaliado por uma colega que é apenas licenciada. E não é titular porque esteve uns anos a trabalhar como um moiro para... fazer o doutoramento!
E muitas outras coisas especiosas que este modelo de avaliação contempla e que quem não está nas escolas desconhece. Que, por exemplo, é o ministro das Finanças quem estabelece as quotas que, em última instância, determinam o número de professores com 'Muito Bom' ou 'Excelente'. E que, para ter 'Excelente', o professor tem de ter zero por cento de faltas. Se tiver de prestar a última homenagem a um familiar próximo, e faltar, azar! Enquanto há avaliadores que são obrigados a deixar os seus alunos do 12.º ano sem aulas. Para quê? Para avaliar colegas!
Excelentes professores, esses sim, que deram uma vida à escola, profundamente desmoralizados, estão a pedir a aposentação antecipada. Com penalizações substantivas, nas suas pensões de reforma, vão para casa. Não seria mais económico, e mais sensato, mandar para casa apenas uma senhora? Quem diz para casa, diz para a universidade. Claro. Para exercer na plenitude a sua vocação autoritária, perdão, a sua autoridade... científica!
Por: José Alberto Quaresma
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