segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Naquele momento, sem esperar, ela olhou para ele como se o visse pela primeira vez. Conheciam-se há muito, mas foi naquele dia quente de Verão, ao cair da tarde, perante uma paisagem se sonho, que ela decidiu que ele havia de ser seu. E foi.

Depois de o conquistar, permaneceram juntos durante anos. Aprenderam a amar-se, a conhecer-se. Superaram desafios e desventuras. Eram como duas almas numa só. Tão diferentes um do outro, cada um com os seus defeitos, as suas qualidades. Riam, choravam juntos, respeitavam-se. Foi assim durante anos, até ao dia em que tudo mudou...

De uma hora para a outra ele olhava para ela e não a via, ela falava e ele não escutava, as palavras tornaram-se amargas. Eram agora desconhecidos.

De comum acordo, separaram-se e seguiram com as suas vidas. Não havia volta a dar. Esta era uma história com um final pouco feliz, agora encerrada.

No entanto, prometeram apoiar-se, estar presente nos bons e maus momentos. Acontecesse o que acontecesse, viesse quem viesse, respeitariam sempre a memória de um amor vivido em pleno e não deixariam nunca que a sua decisão viesse a prejudicar o crescimento, a felicidade daquele que os ligaria para sempre, o seu filho.

Com o passar do tempo, a promessa foi esquecida. Hoje quase não falam e quando o fazem as palavras ferem, magoam. Deixou de haver respeito, tolerância.

Teriam eles mudado assim tanto?

Provavelmente não. Olham-se agora indiferentes, questionando o que é feito da pessoa que outrora amaram. No entanto, essa pessoa continuará ali, igual a si mesma, ao que sempre foi. Difere apenas o contexto. Agora não estão apaixonados…

A paixão altera a nossa consciência, turva a nossa visão, baralha-nos os sentidos. Quando passa, pode dar lugar ao amor, a uma enorme amizade, ao respeito, ou tão simplesmente à desilusão.

Respeito! Aquele sentimento que devemos a quem nos criou, a quem nos trata bem, a quem partilhou grande parte da nossa vida e a quem continuará a fazer parte dela (quer queiramos, quer não...).

O diálogo podia ser tão fácil...Em vez da acusação, a questão, em vez de complicar, facilitar, em vez de falar, ouvir, em vez de agredir, respeitar!

Se não for por cada um deles, como seres individuais, que o façam por aquele que nunca foi ouvido: O filho!

MMarques

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