sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CRESCER!

A idade é uma coisa engraçada! Sentimos os anos passarem por nós (o que é inevitável) ganhamos responsabilidades, rugas, cabelos brancos. O nosso discurso muda, tornamo-nos crescidos.

A sociedade exige de nós atitude, comportamento adequado, controle.

Mas será que mudamos tanto assim?

É engraçado perceber que eu, com 35 anos, sou considerada uma miúda aos olhos dos mais velhos, no entanto, madura, velha, aos olhos dos mais novos.

Facto é que quando me vejo ao espelho ainda me vejo como uma miúda! Cheia de sonhos, dúvidas. Apesar de já não conseguir ignorar por completo os cabelos brancos, os pés de galinha, o peito mais descaído, as estrias do corpo marcado pela maternidade, por dentro, sinto-me uma miúda.

E quando conhecemos alguém dos seus vinte e poucos anos e, de repente, nos tratam por “você”???

Às vezes penso o que a minha sobrinha de 14 anos sentiria se pudesse observar de fora as conversas que tenho com as amigas que conheço há 20 anos (20 anos, bolas, e é assim que nos fazemos velhas!)

Quando estamos descontraídas, sozinhas, em plena galhofa, conseguimos ser completamente descaradas, desbocadas, idiotas, descontroladas, patetas…Acontece muitas vezes, quando não estamos na presença de pessoas mais velhas ou mais novas, que nos obriguem a estar contidas. Como se o tempo não tivesse avançado e ainda tivéssemos 15 anos.

É fácil entender (para quem tem 35 anos e muitas vezes se sente com 15) por que razão há idosas que se dizem sentir como mulheres novas presas num corpo de velha.

A idade é um posto, sempre ouvi dizer. De facto a idade traz-nos sabedoria, conhecimento, reconhecimento, estatuto!

Eu? Eu não tenho medo de envelhecer, mas sim do dia em que me tratem como uma velha.


MMarques

1 comentário:

Mafalda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.