Dia indefinido, de um mês qualquer, de um ano ainda não chegado…
Ele lá estava à hora marcada. Charmoso, como sempre, com os seus olhos despidos de óculos de sol, deixando que o seu olhar meigo penetrasse no meu, apesar da claridade ainda presente naquele fim de tarde quente.
Há muito que aguardávamos, expectantes, a chegada deste momento.
Sob uma paisagem paradisíaca, num moinho rústico qualquer, sentámo-nos na mesa do canto, escondidos dos olhares mais indiscretos, numa tentativa de fazer parar o tempo.
Eu, que naquele momento não era eu, junto dele, que deixara de ser ele, completamente absorvidos pelo ambiente, saboreávamos cada olhar, cada gesto…De frente um para o outro conseguíamos sentir o estremecer dos nossos corpos, em arrepios sem fim, o acelerar dos nossos corações, numa batida em uníssono.
Era o culminar de um jogo de sedução, iniciado há muito…
Este era o cenário perfeito, criado pela nossa imaginação, para uma fantasia que não podia, não deveria, passar apenas de uma fantasia, mas que ambos sabíamos, esperávamos, que acontecesse…
Durante o jantar, num diálogo mudo, numa sintonia mágica, aguardávamos pelo momento proibido em que entrelaçássemos, uma vez mais, os nossos corpos ardentes de desejo.
Uma pequena brisa passava pelos meus cabelos e deixava que o meu perfume chegasse até ele, fazendo com que me desejasse ainda mais.
O seu sorriso, a sua maneira de ser, a sua graça espontânea, aumentavam ainda mais em mim a vontade de o ter.
Era já noite alta, quando num gemido assumido de prazer, olhámos um para o outro, sem nada dizer…
Assim aconteceu, num dia indefinido, de um mês qualquer, de um ano ainda não chegado…apenas na minha imaginação!
MMarques
2 comentários:
Enviar um comentário